Olhar sem Retina

Herval Filho17/08/2008

Não espero o verso com rima (nem o reverso da vida)

Adotei um olhar de perplexidade – que é de pura cegueira

Diante de tanta atrocidade e violência

Morte em esquinas, balas perdidas, crianças assassinadas

Milícias, militares, meninos de rua e operações de fachada

Escrevi uma carta ao Presidente – que nunca chegou ao destino

Onde eu, representando o povo brasileiro

Falei da esperança que venceu o medo

Mas se escondeu de vergonha das mensais propinas

Distribuídas aos comensais e amigos

Do banqueiro que riu da nossa cara de espanto

Como se fosse legal enganar sem se dar mal

Afinal, até o Cabral pergunta “Que País é esse? ”

Se tudo não passa de um jogo de interesses.


E o certo agora é errado, porque não é exemplo

Se sempre damos um jeitinho em tudo

Mesmo nas coisas que parecem absurdas

Colhemos e plantamos sementes do mal

Reclamando do presente e se esquecendo do futuro

Cadê o antigo orgulho de sempre dar duro?

No trabalho, nas leis e na decência

Será que perdemos de vez a nossa essência?

Ou vamos encontrar no final do arco-íris

Apenas a alegria de um desfile gay?


Salvem o povo brasileiro!!!

Em especial a Cidade Maravilhosa

Terra do Jobim, do Vinícius e do Noel Rosa.

Cansei de esperar, agora é tempo de agir

A saída não está no embarque pelo Galeão

Vamos todos nos dar as mãos, e rezar?


Pai nosso que estás no céu

Aqui na Terra, precisamos do Senhor!

Apenas nos faça um pequeno favor

Transforme armas em flores

E o pó que cheiram em estrume

Que fertilizará a mente dos homens

Por ações em prol de bons costumes.

E todo sangue em vinho

E toda dor em carinho

E todo esse ódio em amor.

Não antecipe o juízo final

Porque vem aí uma nova geração

A quem eu passo o bastão

E o meu olhar de poeta.

hervalfilho

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