A Outra Face

Há tempos que não vejo nos olhos
que já não sei se vou encontrar meu rosto 
em mim
Andando pelas ruas, vagando pela vida,
indeciso, sem rumo.

Há tempos que eu dizia para mim mesmo
que não sabia quem era
e o que pretendia
Andando pela vida, vagando pelas ruas,
decidido a me encontrar.

Retornei ao passado
quando todo o tempo era cúmplice
dos meus sonhos,
quando os deuses conspiravam
pelos meus desejos,
mas há tempos que não vejo a mim.

Decidido a me encontrar,
busquei-me no interior de mim mesmo
Descobri onde estávamos meus desejos
Resgatei, então, os meus sonhos
Mas não havia mais um rosto
Apenas ilusões.

hervalfilho

Um comentário em “A Outra Face

  1. “A Outra Face” é um poema que começa com uma dúvida existencial e termina em um niilismo identitário. A jornada de autoencontro, que geralmente em muitas narrativas leva à redenção ou à maturidade, aqui leva à compreensão de que o “eu” sólido que buscamos pode ser a maior das ilusões. É uma obra que ressoa com sentimentos contemporâneos de isolamento e fragmentação da personalidade.

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